domingo, 24 de junho de 2012

GERMES PIOGÊNICOS



Introdução:
Entende-se por germes piogênicos, os vírus e bactérias que causam inflamação e supuração.
Verifica-se que os estafilococos, que se arrumam em grupos, tendem a produzir lesões localizadas, enquanto que as cadeias de streptococos tem origem difusa e espalha as condições para propagação da bactéria.
Muitas variedades de bactérias piogênicas já foram diferenciadas, o mais conhecido é o Staphylococcus aureus, o Streptococcus e o Bacilo coli communis.


Estafilococos aureus:
Características principais:
Estafilococos são cocos Gram-positivos, imóveis, agrupados em massas irregulares ou em cachos de uva. Aeróbios ou anaeróbios facultativos, catalase positiva. Fermentam a glicose com produção de ácido, tanto em aerobiose, como em anaerobiose.
Os estafilococos são bactérias esféricas, piogênicas por excelência.
As manifestações clínicas revelam-se com maior ou menor gravidade de acordo com a localização primária ou secundária da infecção. O problema da estafilococia tem se tornado sério nos anos atuais. Em pacientes hospitalizados, recém-nascidos e crianças abaixo de um ano de idade, as manifestações clínicas tendem a ser de maior importância. As infecções estafilococicas da pele tais como impetigo, contaminação de feridas cirúrgicas ou em queimados, podem levar à septicemia e complicações graves como osteomielite e outros focos metastáticos no coração, pulmão, sistema nervoso central, rins. Além desse comportamento, certas cepas elaboram uma enterotoxina, agindo à distância, causando intoxicação alimentar.
Esses são alguns dos problemas importantes da ação dos estafilococos sobre o hospedeiro e que se unem a sua tendência à variabilidade genética com conseqüente resistência às drogas antimicrobianas; há de realçar seu papel na patogenia humana, pois representam eles, na atualidade, importante problema médico a ser resolvido.
Desta forma, a estafilococia pode se expressar como estado de colonização das superfícies cutâneo-mucosas (portadores transitórios ou  permanentes) ou como doença aguda ou crônica, supurativa, localizada ou disseminada, benigna, grave ou mesmo fatal, causada pela presença do estafilococo, seja por meio da ação de suas enzimas, ou à distância, sem a presença do agente, isto é, por meio de suas toxinas. Relaciona-se a condições de higiene precárias como a fatores debilitantes da imunidade do hospedeiro.

Principais Espécies de Estafilococos :
Atualmente o gênero Staphylococcus é composto por cerca de 30 espécies, sendo algumas freqüentemente associadas a uma ampla variedade de infecções de caráter oportunista, em seres humanos e animais. As principais espécies de estafilococos encontrados em seres humanos são:
·         Staphylococcus aureus, é um patógeno em potencial e pode ser encontrado na região da nasofaringe e também nas fossas nasais.
·         Staphylococcus epidermidis, encontrada primariamente como residente da pele, tendo um baixo potencial patogênico.
·         Staphylococcus saprophyticus, faz parte da microbiota normal da região periuretral do homem e da mulher e da pele.

Morfologia dos estafilococos:

São bactérias Gram-positivas, em forma de cocos que crescem seguindo um padrão que se assemelha a um cacho de uvas. Seu tamanho varia entre 0,5 a 1 micrometro de diâmetro.
Os componentes citoplasmáticos dos estafilococos não variam dos componentes gerais de uma célula bacteriana, sendo os principais:
·         Nucleóide, onde se encontra o cromossomo bacteriano.
·         Os ribossomos, responsáveis pela síntese protéica.
·         Os plasmídios, moléculas de DNA circulantes capazes de autoduplicação independente da replicação cromossômica.
·         Flagelos, responsáveis pela movimentação


Constituição da parece celular dos estafilococos:

·         Cápsula, camada frouxa de polissacarídeos que protege as bactérias ao inibir a quimiotaxia e da fagocitose. Também facilita a aderência a materiais sintéticos.
·         Peptideoglicano, componente estrutural composta de cadeias de glicano de ligação cruzada com peptídeos e confere maior rigidez a parede.
·         Proteína A, reveste a superfície dos estafilococos e se liga a camada de peptideoglicano. Eficaz na prevenção da eliminação do microorganismo pelo sistema imune.
·         Ácidos teicóicos, polímero que contém fosfatos ligados a camada de peptideoglicano ou a membrana plasmática. Medeiam a fixação dos estafilococos as superfícies mucosas
·         Fator de aglutinação, proteína que provoca aglutinação ou agregação dos estafilococos
·         Membrana citoplasmática, complexo de carboidratos, proteínas e de lipídios que atua como barreira osmótica e local de fixação para enzimas


Vias de transmissão:

A transmissão do estafilococo pode se dar de pessoas para pessoa, objeto para pessoa(vice versa), de animais para pessoas (vice versa), e de muitas outras maneiras, uma vez que essas bactérias são de ampla distribuição. Pode ocorre também de pessoas infectada, mas que não apresentam sintomas, para outra saudável.
Um exemplo dessa transmissão são as infecções neonatais. Isso ocorre porque a porcentagem dessas bactérias encontradas nos enfermeiros é grande, e mesmo os berçários sendo submetidos a rigorosos processos de limpeza, não elimina o risco de transmissão.

Manifestações clinicas:

Infecções cutâneas estafilocócicas:

Devido a sua completa exposição pode parecer surpreendente que a pele não sofra mais infecções do que ocorre normalmente. Entre os fatores que contribuem para isso estão o pH baixo, a camada queratinizada, que normalmente é impenetrável a maioria dos microorganismos, por ser um meio de cultura desfavorável para o crescimento de bactérias, a contínua descamação das camadas superficiais da pele, que removem os microorganismos mecanicamente, e as propriedades imunológicas naturais e adquiridas da pele que a protege quando os demais fatores falham.
As infecções cutâneas primárias causadas pelos estafilococos são chamadas genericamente de piodermites. As piodermites tem contagiosidade variável, havendo formas muito contagiosas como o impetigo.

Impetigo: Trata-se de uma piodermite superficial, que acomete mais crianças do que adultos. Essa doença raramente oferece dificuldade no diagnóstico: Inicialmente aparecem vesículas contendo líquido purulento pouco turvo. Essas vesículas se expandem, seu liquido torna-se turvo até que ocorre seu rompimento. Rompidas as bolhas, há a concreção do líquido purulento, formando crostas amareladas/acastanhadas sobre as lesões. Comumente as lesões regridem sem deixar cicatriz
Os locais mais afetados são a face e as extremidades, porém nas crianças qualquer área pode ser afetada.

Foliculite, furúnculo e antraz: São infecções relativamente profundas da pele. Enquanto o impetigo apresenta-se como infecção que se propaga apenas horizontalmente, a foliculite (infecção acomete apenas a porção superior do folículo piloso), o furúnculo (atinge todo o folículo piloso e a sua glândula sebácea anexa) e o antraz (furúnculo se agrupam numa mesma área, constitui o antraz), são infecções que tendem a se estender verticalmente, atingindo camadas mais profundas da pele.

Bacteremias: O estafilococos aureus é uma das causas mais freqüentes de bacteremias. A infecção é geralmente adquirida no emprego de cateteres intravenosos. A bacteremia é um processo secundário a infecções cutâneas ou de outros locais e pode dar origem a diferentes tipos de infecções, tais como endocardites, osteomielites e abcessos metastáticos em vários órgãos. Pode também evoluir para a sepse, com mortalidade elevada.

Pericardite e endocardite: O estafilococos aureus é o agente mais comum da pericardite aguda purulenta, podendo também causar endocardite aguda.
Em usuários de drogas ilícitas, a endocardite é adquirida por meio de injeção intravenosa e a válvula mais comprometida é a tricúspide. Nos não-usuários de drogas, a infecção é devido à disseminação a partir de uma infecção local ou de cateteres intravenosos colonizados.

Pneumonia e Empiema :As pneumonias estafilocócicas podem ser primárias ou secundárias. No primeiro caso, o agente etiológico chega ao pulmão através da via traqueobronquial, e nas pneumonias secundárias através de disseminação hematogênica de um foco à distância.

Osteomielite: A osteomielite pode manifestar-se primariamente como infecção em fraturas múltiplas, mas é mais comum seguir-se à disseminação hematogênica de estafilococos à partir de um foco inicial (furúnculo ou infecção superficial).

Artrites: estafilococos aureus é a causa primária de artrite séptica em crianças, jovens e em adultos portadores de artrites crônicas ou submetidos a diferentes tipos de tratamentos cirúrgicos. Ocasionalmente, a artrite séptica origina-se de um foco de osteomielite contíguo.

Sepse: O estafilococo que, com grande freqüência, produz infecções localizadas pode, por uma série de fatores, romper as barreiras naturais do hospedeiro, ganhar a circulação e manter-se no sangue, produzindo infecção sistêmica grave. Se nesta fase não for estabelecido o diagnóstico clínico e instituído tratamento adequado, a sepse evolui rapidamente com o aparecimento de abcessos metastásicos em vários órgãos. São sintomas gerais da fase inicial da doença: calafrios, febre, sudorese, anorexia, náuseas e vômitos, irritabilidade e agitação são seguidos por coma e delírio.

Outras doenças: S. aureus pode causar infecção na maioria de órgãos e tecidos, incluindo abcessos renais e cerebrais, assim como meningites.

Intoxicação alimentar estafilocócica: 
A intoxicação alimentar estafilocócica deve-se à ação de enterotoxinas liberadas por estafilococos que entram no alimento antes de sua ingestão. Uma vez contaminado, se o alimento permanecer sem refrigeração, ocorrerá o crescimento da bactéria. As amostras de S.aureus que contaminam os alimentos são geralmente provenientes de indivíduos que manuseiam esses alimentos, podendo ser portadores assintomáticos ou que apresentam algum tipo de infecção. Como as enterotoxinas são termoestáveis, a cocção do alimento não as destrói.
A sintomatologia manifesta-se de uma até seis horas após ingestão do alimento e consiste de: náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia, sudorese e prostração. Comumente a reação não se acompanha de febre e tem bom prognóstico.

Síndrome do Choque Tóxico:
A síndrome do choque tóxico é uma infecção normalmente causada por estafilococos, a qual pode evoluir rapidamente para o choque grave e não-tratável.. O choque tóxico é também causado por amostras de S.aureus produtoras de TSST-1 que colonizam outros locais, tais como feridas cirúrgicas.
Os sintomas começam subitamente com uma febre de 39 a 40,5°C. Rapidamente, o indivíduo passa a apresentar cefaléia, dor de garganta, hiperemia dos olhos, cansaço extremo, confusão mental, vômito, diarréia aquosa e profusa e uma erupção cutânea generalizada semelhante à queimadura solar. Em 48 horas, ele também pode apresentar desmaios e evoluir para o choque. Entre o terceiro e o sétimo dia, ocorre descamação da pele, sobretudo da palma das mãos e da planta dos pés.  A síndrome causa anemia. É comum a ocorrência de lesão renal, hepática e muscular, especialmente durante a primeira semana. Também podem ocorrer problemas cardíacos e pulmonares. A maioria dos órgãos recupera-se completamente após o desaparecimento dos sintomas.

Síndrome da Pele Escaldada:
Conhecida com doença de Ratzer. Caracteriza-se, principalmente, pelo descolamento de extensas áreas da epiderme, lembrando o que ocorre quando a pele é banhada por água fervente. O deslocamento da pele é determinado por uma toxina denominada esfoliatina ou epidermolisina. A esfoliatina é produzida no sítio de infecção e levada para áreas distantes da pele através da corrente sanguínea. Na maioria dos casos, o estafilococo produtor da toxina é do grupo fágico II, podendo ser a toxina codificada por genes cromossômicos ou plasmidiais. A Síndrome da Pele Escaldada é comum em recém-nascidos.

Diagnóstico Laboratorial:

1)      COLETA

O diagnóstico laboratorial é feito através de análises de amostras colhidas de pacientes com suspeitas da doença. A detecção bem sucedida dos microorganismos numa amostra clínica depende do tipo de infecção (abscesso,bacteremia,impetigo,etc) e da qualidade  do material submetido à análise.
Swab superficial –quando com o auxílio do swab é feita a coletagem superficial do material. Ex:Abscesso- para obtenção de material de abscesso, a base do abscesso deve ser raspada com swab.
Pus-o - pus aspirado consiste basicamente em material necrótico com relativamente poucos microorganismos, de modo que estas amostras não devem ser coletadas (não auxiliam muito na detecção)
Sangue – observam-se poucos microorganismos no sangue de pacientes com bacteremia (bactérias circulam pelo sangue sem se multiplicarem), cerca de um microorganismo/ml de sangue.
Aspirado traqueal -é feito nos casos de doenças respiratórias por S.aureus.

2)    ESFREGAÇOS

O esfregaço é um dos métodos utilizados para exames bacteriológicos das amostras coletadas.     
As técnicas de coloração mais utilizadas em laboratório clínico são:
1)Coloração simples: é utilizado um único corante (azul de metileno alcalino de Löffler)
2)Coloração dupla: são utilizados dois corantes. Os métodos de coloração dupla mais conhecidos são: método de Gram e método de Ziehl-Nielsen.
Após a coloração, é feita a observação ao microscópio. É possível a verificação da presença de estafilococos típicos em esfregaços corados de pus ou escarro. No entanto, não é possível distinguir os microorganismos saprófitas (S.epidermidis) dos patogênicos (S.aureus) nos esfregaços.

3)    MICROSCOPIA

Abscesso: amostras de abscessos corados pelo método de Gram quando observadas ao microscópio apresentam grande quantidade de microorganismos.
Pus: amostras de pus não devem ser coletadas para microscopia, já que este consiste basicamente em material necrótico e, portanto, com poucos microorganismos.
Sangue: as amostras de sangue coradas pelo método de Gram, na maioria das vezes, não são reveladoras, pois a quantidade de microorganismos no sangue de pacientes com bacteremia é pequena.

4)    CULTURA

As amostras clínicas devem ser inoculadas em meios de cultura sólidos, nutritivos e complementados com sangue de carneiro. As amostras semeadas em placas de ágar-sangue produzem colônias típicas em 18 horas a 37°C. No entanto a hemólise e a produção de pigmento podem ocorrer apenas depois de vários dias principalmente em temperatura ambiente.
Se houver uma mistura de microorganismos na amostra, é possível isolar seletivamente S.aureus em ágar suplementado, com NaCl a 7,5%, que inibe o crescimento da maioria dos outros microorganismos, ou seja, amostras contaminadas por uma microbiota mista podem ser cultivadas em meio contendo sal (NaCl a 7,5%) já que este inibe a maioria da microbiota normal, mas não S.aureus.
Ágar suplementado com manitol também são seletivos. Já que o manitol é fermentado pelo S.aureus mas não pela maioria dos outros estafilococos. Então se utiliza ágar manitol- sal para efetuar a triagem dos portadores de S.aureus.
Os estafilococos crescem rapidamente em meios de cultura não seletivos, tanto em condições aeróbicas quanto em condições anaeróbicas.
As colônias de S.aureus costumam ser douradas. Quase todos microorganismos isolados da espécie  S.aureus que crescem em ágar - sangue de carneiro exibem hemólise, que é causada por citotoxinas produzidas por estes microorganismos. Os meios de cultura enriquecidos com sangue de carneiro facilitam a visualização do halo de hemólise produzido por hemolisinas estafilocócica.

5)    SOROLOGIA

As tentativas de detectar antígenos estruturais de estafilococos em amostras de sangue ou em outras amostras clínicas não foram bem sucedidas.  O encontro de um número elevado de anticorpos num paciente com bacteremia, indica a necessidade de uma terapia antimicrobiana prolongada.
A fagotipagem (suscetibilidade a bacteriófagos) só é utilizada para avaliação epidemiológica da infecção em surtos graves de infecções por S.aureus, como as que podem ocorrer em hospitais.


6)    IDENTIFICAÇÃO

Pode-se utilizar testes bioquímicos relativamente simples para diferenciar S.aureus dos outros estafilococos, como os testes de catalase e coagulase.
a)    Teste da Catalase:Deposita-se uma gota de peróxido de hidrogênio sobre uma lâmina e junta-se uma pequena quantidade do crescimento bacteriano. A formação de bolhas (liberação de oxigênio) indica um teste positivo. O teste também pode ser efetuado gotejando-se solução de peróxido de hidrogênio sobre o crescimento de bactérias em ágar e observando-se o aparecimento de bolhas. As bactérias possuem enzimas que destroem o oxigênio tóxico (ânion oxigênio ou peróxido de hidrogênio).Uma das enzimas é a catalase, ela degrada peróxido de hidrogênio e o transforma em água e oxigênio.         
A liberação de bolhas (oxigênio) é o indicativo de que a bactéria em questão possui catalase (já que consegue transformar H2O2 que foi introduzido e liberar O2). O S.aureus é catalase- positivo.
b)    Teste da Coagulase:O plasma citrado de coelho ou de humano,diluído a 1:5 é misturado com um volume igual de caldo de cultura ou crescimento de colônias em ágar e incubado a 37°C.Um tubo de plasma misturado com caldo estéril é incluído como controle.Se houver formação de coágulos em 1-4 horas, o teste é positivo.
A espécie S.aureus é coagulase-positivo, o que o diferencia das outras  espécies;e são patogênicos para os humanos.Os estafilococos coagulase-negativos são membros da microbiota humana normal e algumas vezes causam infecções em idosos e imunocomprometidos.

7)     PCR (POLIMERASE CHAIN REACTION)

Atualmente existem sistemas automatizados de microbiologia (VITEC,BACTEC,etc.) que são capazes d isolar e identificar a maioria dos estafilococos a nível de espécie. Provas bioquímicas,metabólicas, enzimáticas e os esquemas simplificados para identificação de rotina de espécies humanas de estafilococos,vêm sendo substituídos gradualmente por métodos moleculares,mais rápidos ,mas extremamente dispendiosos.

Tratamento:
           
Nos EUA, 80% ou mais das linhagens de S aureus são resistentes à penicilina G. a maioria produz beta lactamase sob o controle de plasmídios transmissíveis. Estes organismos podem ser tratados com penicilina resistentes a beta lactamase, por exemplo, naficilina ou cloxacilina, algumas cefalosporinas ou vancomicilina. Alguns estafilococos são “resistentes à meticilina” pela alteração das proteínas de ligação das penicilinas. Estes organismos podem produzir epidemias detectáveis da doença, especialmente em hospitais. A droga de escolha para estes estafilococos é a vancomicina. Algumas linhagens de estafilococos exibem tolerância; isto é, elas podem ser inibidas pelos antibióticos, mas não são mortas. A tolerância pode ser devido a uma falha das drogas na inativação de enzimas autolíticas que degradam o organismo. Organismos tolerantes devem ser tratados em combinação de drogas.
A drenagem é crítica no tratamento de abscessos. Infecções prévias possibilitam somente uma imunidade parcial a uma re-infecção.

Tratamento de ANTRAZ ou CARBÚNCUL
1) Limitada experiência clinica
2) ausência de estudos controlados para avaliar a terapêutica atual recomendada para a forma inalatória.
3) O uso de penicilina não é recomendado.

Tratamento da Sepse
1) Antibióticos para tratar a infecção.
2) Cirurgia para a retirada do foco da infecção.
3) Soros através de cateteres venosos-esses soros podem conter substancias para nutrir o paciente que não pode comer normalmente.
4) Medicações para elevar a pressão arterial ou melhorar o funcionamento do coração.

Tratamento do Choque Tóxico
É difícil estabelecer recomendações precisas para a prevenção da síndrome do choque tóxico. Em geral, as mulheres devem evitar o uso constante de tampões durante a menstruação. Os tampões super-absorventes, os quais apresentam maior probabilidade de causar a síndrome do choque tóxico, não devem ser utilizados. Uma pessoa com suspeita da síndrome do choque tóxico deve ser hospitalizada imediatamente. O tratamento é iniciado com a remoção do tampão, do diafragma ou de outros objetos estranhos e a antibioticoterapia é iniciada o mais rapidamente possível.

Tratamento de furúnculo
1) O tratamento é feito com antibióticos locais e sistêmicos. Nos casos muito dolorosos e com superfície amolecida, pode ser feita a drenagem da lesão, com alívio imediato da dor.
2) Quando ocorre à furunculose, deve-se pesquisar o que está favorecendo o surgimento das lesões e estimular a defesa orgânica do indivíduo.
3) O médico dermatologista é o profissional indicado para o tratamento dos furúnculos e da furunculose.

Tratamento de foliculite
1) O tratamento é feito com antibióticos de uso local ou sistêmico específicos para a bactéria causadora e cuidados anti-sépticos. Algumas lesões podem necessitar de drenagem cirúrgica.
2) O dermatologista é o médico mais indicado para o correto diagnóstico e tratamento das foliculites.

Tratamento de intoxicações alimentares estafilococicas
1) Notificação de surtos: a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou centra, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e controle da transmissão através de medidas preventivas.
2) Medidas preventivas: educação dos manipuladores de alimentos e conscientização sobre o risco da produção da enterotoxina; orientação para rigorosa higiene e limpeza das cozinhas; controle de temperatura; limpeza das mãos e unhas, etc. 
3) Medidas em epidemias: investigação de surtos e determinação dos alimentos implicados e fatores contribuintes para o surto. Intervenção e mudança de práticas inadequadas de preparo de alimentos. 

Tratamento para as infecções cutâneas
1) Os antibióticos orais (p.ex., cloxacilina, dicoloxacilina e eritromicina) são adequados. Para as infecções mais graves, especialmente as do sangue, é necessária a antibioticoterapia intravenosa, frequentemente por até seis meses.

Estreptococos:

Caracteristicas gerais:
São cocos que se agrupam em colônias, em pares ou curtas (em meio sólido) ou longas ou agrupadas (em caldo). Suas dimensões variam de 0,6 a 1 mcm. Com técnica Gram, é possivel visualizar uma parede celular grossa e de membrana simples, determinam coloração roxa (Gram-positiva). São imóveis (com poucas exceções), já que não possuem órgãos de locomoção (como flagelos). Não produzem catalase, sendo, portanto catalase-negativos, uma distinção importante contra os Staphylococcus e gênero é oxidase negativo
Todos os estreptococos são aeróbios preferenciais e anaeróbios (podem ser cultivadas tanto em aerobiose quanto em anaerobiose) facultativos, podendo viver, também, na ausência de oxigênio (fermentando os nutrientes em ácido lático).
São bactérias homofermentativas (produzem apenas um produto final durante a fermentação) produtoras de ácido lático. São anaeróbias. Entretanto, diferentes de muitos microganismos anaeróbios, as bactérias produtoras de ácido lático não são sensíveis ao O2, portanto podem crescer na presença de oxigênio, sendo definidas como anaeróbias facultativas.


Classificação:
Os estreptococos são classificados de acordo com a sua capacidade de provocar lise (morte celular) em eritrócitos, em alfa (hemólise incompleta), beta (hemólise total) ou gama (nenhuma hemolise)-hemolítico.
Em 1933, Rebecca Lancefield, trabalhando com o teste deprecipitação utilizou diferenças antigênicas para estabelecer 6 grupos (A até E e N).
Os antígenos (polissacarídeo e carboidrato) utilizados no sistema de agrupamento de Lancefield estão localizados na parede celular (grupos: A, B, C, E, F, G, H e K). Nos grupos D e N estes antígenos são ácidos teicóicos, localizando-se entre a parede e a membrana celular.
Nos grupos B e C estão contidos a maioria dos estreptococos de importância animal
Grupo A:Streptococcus pyogenes é o mais importante: beta-hemolítico causa a faringite estreptocócia, a mais comum forma de faringite. São as espécies mais virulentas para o ser humano, o qual é seu hospedeiro natural. Eles podem causar infecção estreptocócica da orofaringe, tonsilite, infecções de feridas e da pele, infecções do sangue (septicemia), escarlatina, pneumonia, moléstia reumática, coréia de Sydenham (dança de São Vito) e inflamação dos rins (glomerulonefrite).
Grupo B:Streptococcus agalactiae: pode ser beta ou gama-hemolítico. Causa meningite em neonatos. Provoca mais freqüentemente infecções perigosas nos recém-nascidos (sépsis neonatal) e infecções articulares (artrite séptica) e cardíacas (endocardite).

Grupo C e G: freqüentemente são transportados por animais, mas também crescem na garganta, no intestino, na vagina e na pele do ser humano. Esses estreptococos podem causar infecções graves, como a faringite estreptocócica, pneumonia, infecções cutâneas, infecções de feridas, sépsis pós-parto e neonatal, endocardite e artrite séptica. Após uma infecção por uma dessas bactérias, pode ocorrer uma inflamação renal.

Grupo D e os enterococos: crescem normalmente no trato digestivo baixo, na vagina e na pele circunvizinha. Eles também podem causar infecções de feridas e de válvulas cardíacas, da bexiga, do abdômen e do sangue. As infecções causadas por determinados tipos de estreptococos podem causar uma reação auto-imune na qual o organismo ataca seus próprios tecidos. Essas reações podem ocorrer após uma infecção e pode acarretar a moléstia reumática, a coréia e a glomerulonefrite (lesão renal).

Vias de transmissão:

Os estreptococos podem ser transmitidos de pessoa para pessoa ou de objeto para pessoa, através do contato direto. São destruídos por detergentes e sabão, porém são resistentes a desidratação, podendo aguentar períodos muitos longos. Outras formas de transmissão são as tosses e espirros.

Sintomas:
Os estreptococos podem viver no trato respiratório, no intestino, na vagina ou em qualquer outro local do corpo sem causar qualquer problema. Ocasionalmente, eles são encontrados em uma área inflamada (p.ex., garganta ou vagina) de um indivíduo portador e são erroneamente responsabilizados pela infecção. O tipo mais comum de infecção estreptocócica é a infecção de orofaringe. Normalmente, os sintomas surgem de modo súbito e incluem a dor de garganta, uma sensação mal-estar generalizado, calafrios, febre, cefaléia, náusea, vômito e aumento da freqüência cardíaca. A garganta apresenta uma cor vermelho escuro, as amígdalas tornam-se edemaciadas e os linfonodos do pescoço podem aumentar de volume e tornar-se dolorosos. As crianças podem apresentar convulsões.

Nas crianças com menos de quatro anos de idade, o único sintoma pode ser uma coriza. A tosse, a inflamação da laringe (laringite) e a obstrução nasal são incomuns nas infecções estreptocócicas. Eles sugerem outra causa como, por exemplo, um resfriado ou uma alergia. A escarlatina é causada por toxinas estreptocócicas que acarretam uma erupção cutânea generalizada róseo-avermelhada. A erupção cutânea é mais evidente no abdômen, nas faces laterais do tórax e nas pregas cutâneas. Outros sintomas incluem a palidez em torno da boca, o rubor facial, a língua vermelha e inflamada e linhas de cor vermelho escuro nas pregas cutâneas. A camada externa da pele hiperemiada freqüentemente descama após o desaparecimento da febre. Os estreptococos também causam vários tipos de infecção cutânea, embora raramente produzam abcessos.

Ao contrário, as infecções tendem a disseminar-se para as camadas subcutâneas profundas, produzindo uma celulite e, às vezes, erupções vermelhas e com aumento da temperatura, denominadas erisipela (fogo de Santo Antônio). Os estreptococos, isoladamente ou combinados com estafilococos, também podem disseminar-se ao longo das camadas superiores da pele, causando erupções ulceradas e com crostas (impetigo). Certas cepas de estreptococos podem causar uma infecção destrutiva que se dissemina rapidamente sob a pele (fascite necrosante).

Diagnóstico laboratorial:
Embora os sintomas possam sugerir uma infecção estreptocócica, o diagnóstico deve ser confirmado por exames. A cultura de uma amostra da área infectada é a melhor maneira para se estabelecer o diagnóstico de uma infecção estreptocócica. Após o crescimento noturno, uma cultura revela colônias bacterianas características. Para diagnosticar uma faringite estreptocócica, é realizada uma cultura de uma amostra coletada através de um swab da região posterior da garganta. A seguir, a amostra é colocada em uma placa de Petri e espera-se uma noite para que ocorra o crescimento bacteriano. Opcionalmente, os estreptococos do grupo A podem ser detectados através de testes rápidos especiais, cujos resultados tornam- se disponíveis em poucas horas. Quando o resultado de um teste rápido for positivo, não é necessária a realização de uma cultura mais lenta, que necessita de toda uma noite. Como ambos os métodos podem detectar a presença de estreptococos em indivíduos que não necessitam de tratamento, a avaliação médica é necessária.

Características dos meios de cultura:
Os membros desse gênero são exigentes em relação as suas necessidades nutritivas.
Não crescem em meios com extrato de carne ou podem ter crescimento pobre mesmo no infuso, a menos que seja enriquecido com sangue ou soro. Agar infuso de carne eqüina é um bom meio para isolamento dos estreptococos animais. O meio de Todd-Hewitt é um excelente meio líquido.
As cepas de estreptococos produzem colônias translúcidas, pequenas e com aproximadamente 1mm de diâmetro, em meio sólido. A superfície do crescimento é lisa, brilhante e com contorno circular. As colônias crescidas mais profundamente no agar são lenticulares. As colônias crescidas em meio fluido podem ser globulares e dificilmente visíveis a olho nu.

Tratamento:
Os indivíduos com faringite estreptocócica ou com escarlatina geralmente melhoram em 2 semanas, mesmo sem tratamento. Não obstante, os antibióticos podem reduzir a duração dos sintomas em crianças jovens e impedir complicações graves (p.ex., moléstia reumática). Eles também auxiliam na prevenção da disseminação da infecção para o ouvido médio, os seios da face e o osso mastóide, assim como a disseminação para outras pessoas. Um antibiótico, geralmente a penicilina V oral, deve ser administrado imediatamente após o surgimento dos sintomas.

Outras infecções estreptocócicas, como a celulite, a fascite necrosante e a endocardite, são muito graves e exigem a administração intravenosa de penicilina, algumas vezes combinada com outros antibióticos. Normalmente, os estreptococos do grupo A são eliminados pela penicilina. Alguns estreptococos do grupo D e especialmente os enterococos são resistentes à penicilina e à maioria dos antibióticos. Não existe uma antibioticoterapia confiável disponível para muitas cepas de enterococos.

Sintomas como a febre, a cefaléia e a dor de garganta podem ser tratados com analgésicos e antitérmicos. O repouso ao leito e o isolamento não são necessários. No entanto, os familiares ou os amigos que apresentam sintomas similares ou que apresentaram complicações decorrentes de uma infecção estreptocócica podem apresentar risco de infecção.

Pseudômonas:

Características gerais:
Pseudomonas aeruginosa (também conhecida como Pseudomonas pyocyanea) é uma bactéria gram-negativa, aeróbia, baciliforme. Seu ambiente de origem é o solo, mas sendo capaz de viver mesmo em ambientes hostis, sua ocorrência é comum em outros ambientes. É um patogênico oportunista, ou seja, que raramemte causa doenças em um sistema imunológico saudável, mas explora eventuais fraquezas do organismo para estabelecer um quadro de infecção. Essa característica, associada à sua resistência natural a um grande número antibióticos e antisépticos a torna uma importante causa de infecções hospitalares.

Vias de transmissão:
Essa bactéria pode ser transmitida de objetos para pessoas e é uma das bactérias responsáveis pelas infecções hospitalares.
Sua elevada frequência em ambientes hospitalares explica-se parcialmente pela sua resistência a antibióticos e anti-sépticos leves.
Um ponto importante dessa bactéria é a grande capacidade de formação de biofilmes, principalmente em encanamento. Quando isso ocorre, é necessário a realização da desinfecção pois, a partir desse momento, a água a ser consumida será seriamente contaminada pela bactéria. Quando isso ocorre em hospitais a situação se agrava devido ao risco da ingestão da bactéria por pessoas debilitadas.

Susceptibilidade:
Pessoas com fibrose cística, pacientes de câncer e portadores de doenças imunodrepessoras são altamente susceptíveis ao agravamento do quadro de infecção por pseudômonas aeruginosa. Nesses casos, o índice de óbitos pode chegar a 50%.

Prevenção:
Deve-se evitar que o paciente com sistema imunológico debilitado entre em contato com flores, frutas e vegetais trazidos por familiares.
A profilaxia com probiótico lactobacillus pode retardar a infecção por colonização de pseudômonas nos sistemas respiratório e gástrico.

 Tratamento:
O aconselhamento por um microbiologista ou médico especializado deve ser feito antes do início do tratamento. Frequentemente nenhum tratamento é necessário.
Poucos antibióticos atuais são eficazes no tratamento da P. aeruginosa, mas ainda assim são eficazes apenas contra algumas variantes da bactéria.
Alguns especialistas dizem que o tratamento com anti-bióticos é inútil, pois o resultado normalmente é a infecção por uma variante da bactéria resistente à qualquer tipo de tratamento. Mas é possível orientar o tratamento baseando-se no comportamento laboratorial da amostra.
O uso geral dos poucos antibióticos que possuem efeito contra a P. aeruginosa é severamente restrito para evitar o desenvolvimento de variações da bactéria resistentes à estas drogas.
Pesquisas indicam que a colistina tem sido eficaz no tratamento de infecções causadas pelo Pseudomonas aeruginosa.


Considerações finais:
Os germes piogênicos como o próprio nome já diz, são germes, vírus ou bactérias que produzem pus. Algumas das patologias que envolve esse organismo, podem apresentar odores, e agravamentos.
Em alguns casos, o organismo infectado pelos germes piogênicos não precisa de tratamento por ser um germe oportunista, ou seja, faz parte da microbiota normal do ser humano e em poucos dias será curado. Já casos em que não há a melhora, o tratamento com medicamentos é mais indicado, sendo necessária a orientação de um especialista porque a automedicação pode agravar o quadro, pois tanto os estafilococos, estreptococos e os pseudômonas possuem variações resistentes a medicamentos.


Bibliografia:
Murray, Patrick R. Microbiologia medica. 4º edição.
Gomes, Marcos JP. Gêneros Streptococcus.
Érico Antonio Gomes de Arruda.”infecção hospitalar por pseudômonas aeruginosas multi- resistentes: analise epidemiológica.” Revista da sociedade brasileira da medicina tropical, 31:PP 503-504.



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